A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) alerta para um cenário de catástrofe no sector, caso o Governo decida avançar com o aumento da taxa do IVA, dos actuais 13% para os 23% anunciados. Em declarações reproduzidas pela Rádio Renascença, o secretário-geral da AHRESP, José Manuel Esteves, prevê que o aumento da taxa do IVA leve à «perda de receitas do sector que pode chegar quase aos dois mil milhões de euros», assim como «à extinção de mais de 120.000 postos de trabalho e ao fecho de mais de 154.000 estabelecimentos, que representam mais de metade da oferta existente em Portugal». No entanto, não será só o sector a perder, garante José Manuel Esteves, já que, também os cofres do Estado deverão perder receitas na ordem dos 400 milhões de euros. Recorde-se que a revisão das tabelas do IVA, com o consequente aumento, são uma das exigências do acordo assinado com a troika para saneamento das contas públicas portuguesas.
PETROGAL UM DOS ALVOS DE ANDERS BREIVIK SOFRE VIOLENTA EXPLOSÃO
Uma forte explosão seguida de um incêndio rapidamente controlado foi registada, na madrugada desta quinta-feira, na refinaria da Petrogal, em Leça da Palmeira, Matosinhos. O fogo foi controlado pelas equipas da própria empresa e não há indicações de qualquer vítima. A Galp indica que "está em curso uma investigação para apurar as circunstâncias que conduziram a este incidente". Veja o vídeo. A explosão, sentida alguns quilómetros em redor da refinaria, ocorreu à 01.40 horas. Em comunicado, divulgado esta quinta-feira de manhã, a Galp confirma "um incidente num reservatório da Refinaria de Matosinhos, de onde resultou um foco de incêndio", mais precisamente "num tanque de acumulação de águas". A empresa salienta que o incêndio foi "prontamente extinto pelos meios internos" e que "as condições de funcionamento da instalação não foram afectadas". A Galp indica que "está em curso uma investigação para apurar as circunstâncias que conduziram a este incidente", garantindo que as instalações da refinaria de Matosinhos "cumprem as normas e as melhores práticas internacionais" em termos de segurança. Mário Rebelo, que trabalha num parque de camiões na rua de Almeiriga, perto do local do incidente, afirmou que a explosão desta madrugada foi uma das mais fortes que já assistiu na refinaria em vários anos: "Muito mais forte do que aquela que deixou o mar a arder e em que morreram pescadores".
BIG BROTHER TOTAL EM INGLATERRA PELA SCOTLAND YARD NA CAÇA AOS AMOTINADOS
A menos de um ano dos Jogos Olímpicos de Londres, a Scotland Yard que vive a maior crise de sua história, sem um chefe à frente da unidade, em plena crise interna de acusações de corrupção, precisa agora de conter uma onda de violência sem precedentes que toma as ruas da capital inglesa. Para enfrentar os distúrbios, as tropas de choque e agentes a cavalo entraram em confronto em uma luta desigual. Sem poderem usar nos primeiros dias canhões de água, balas de borracha e gás lacrimogêneo, demonstraram total incapacidade e falta de preparação para conterem a violência indiscriminada. 16 Mil agentes foram ontem para as ruas da capital britânica para tentar restaurar a ordem depois da violência sem precedentes vivida na segunda-feira à noite em 14 bairros, que causou centenas de detenções, graças à ajuda de outras unidades policiais de cidades vizinhas. Agora autorizados a utilizar balas de borracha e bastões, a polícia patrulha, lado a lado com vigilantes civis, as lojas das zonas mais problemáticas. A humilhação da polícia londrina é notória, uma força com de 32,5 mil agentes (deles 14,2 mil policias de rua) e que presume boas práticas policiais e relações com a comunidade desde a sua criação em 1829. O comissário-chefe interino da Scotland Yard, Tim Godwin, afirmou nesta segunda-feira na rede BBC que não há nenhum plano para colocar o Exército nas ruas diante da actual onda de "delinquência, roubo e violência" na capital britânica, com quase 8 milhões de habitantes e uma extensão de 1,6 mil quilômetros quadrados da área metropolitana. Mas começaram já a pedir que os habitantes da capital identifiquem online os delinquentes filmados directamente pelos milhares de câmaras de vigilância de lojas, transportes públicos e de espaços urbanos. A actual crise ocorre quando a Scotland Yard está sem direcção desde a renúncia, em meados de julho, de seu comissário-chefe e de seu "número dois" pelo escândalo das escutas telefónicas dos jornais de Rupert Murdoch, cuja investigação demonstrou pagamentos de suborno à Scotland Yard para conseguirem reportagens exclusivas. Os problemas da Scotland Yard ocorrem a menos de um ano da abertura dos Jogos Olímpicos de Londres, em 27 de julho de 2012, que colocam o extraordinário desafio de segurança para um país que mantém nível de alerta terrorista "severo". O responsável de comunicações do Comité Olímpico Britânico (BOA), Darryl Seibel, expressou nesta terça-feira a confiança na capacidade das autoridades para garantir a segurança de Londres 2012 e afirmou que os distúrbios não afectarão os preparativos. Mas a imagem de uma das maiores capitais do mundo ocidental, barricada e vandalizada por grupos de assalto juvenis, não se apagará das memórias de quem visualisou estas marcantes imagens de uma sociedade europeia em decadência social.
ACORDO ANTI-CRISE DEIXA GOVERNO DE ANGELA MERKEL EM RISCO
A chanceler alemã Angela Merkel está a ser pressionada para chumbar a compra de obrigações dos países da zona euro pelo fundo de estabilidade europeu, acordada na reunião de emergência do dia 21 de Julho. Muitos elementos dos partidos que compõem a coligação governamental, os conservadores da CDU/CSU e os liberais do FDP, rejeitam as medidas anunciadas, que incluem a compra de dívida, concessão de empréstimos a países em dificuldades e a recapitalização dos bancos de várias nações. A oposição estende-se igualmente à decisão do Banco Central Europeu (BCE) de avançar sozinho para a compra da dívida emitida pela Espanha e pela Itália. Os maiores opositores das medidas de apoio ao euro são os liberais que integram a coligação governamental, numa altura em que se afundam cada vez mais nas sondagens e eleições regionais. A popularidade do FDP caiu dos 14% para 3% em apenas dois anos. O líder parlamentar dos liberais, Rainer Brüderle, afirmou ontem que o Bundestag (parlamento alemão) poderá pressionar para que sejam feitas emendas ao pacote acordado em Julho, de modo a evitar que a zona euro se transforme numa mera ‘união de transferência' de dinheiro da Alemanha para os outros países.No mesmo dia, o secretário-geral do FDP, Christian Lindner, criticou severamente a decisão do BCE de comprar as obrigações dos países do Sul, uma vez que na prática isso constitui uma transferência da responsabilidade da dívida destes países para os contribuintes das maiores economias da zona euro, em particular os alemães. "O BCE está a recorrer a políticas que não são recomendáveis. O banco central não se pode tornar num agente envolvido" nas discussões políticas sobre a estabilidade da zona euro, disse Lindner, apoiando as críticas no mesmo sentido que também foram expressas pelo banco central alemão, o Bundesbank. Ao mesmo tempo, Philipp Missfelder, membro da direcção executiva da CDU, o próprio partido de Merkel, apelou à realização de uma "conferência partidária de emergência" sobre as medidas acordadas pelo governo nos últimos dias, afirmando que "o partido tem o direito de participar em decisões tão colossais" como as que a chanceler está a tomar. Todas estas críticas surgiram dois dias depois de Merkel e Sarkozy terem emitido um comunicado conjunto em que os dois líderes apelam a uma "rápida aprovação parlamentar" das medidas acordadas em Julho. Com a provável deserção dos deputados do FDP do bloco governamental, a aprovação destas medidas pela Alemanha está agora em sério risco. (in, Económico).
ECONOMISTA CAMILO LOURENÇO: AS LIÇÕES DE 1992 E A CRISE DO EURO
Camilo Lourenço, repórter e economista do Jornal de Negócios deixa-nos esta semana a sua brilhante análise: «Em 1992, o Sistema Monetário Europeu, precursor da União Monetária, enfrentava a sua pior crise em 13 anos de existência. Os países que o compunham tentavam salvá-lo da pressão especulativa que assentara baterias contra Itália e Inglaterra. A certa altura o Bundesbank, colocado entre a inevitabilidade de vender marcos e comprar liras (para evitar que a lira furasse o intervalo máximo de flutuação cambial) ou deixar a Itália à deriva, optou pela segunda. Razão: a estabilidade monetária, ou seja inflação baixa, era mais importante para a Alemanha do que a "obrigação" de apoiar o projecto europeu (a Itália acabou corrida do SME). Então, como agora, os problemas de Itália eram os mesmos: irresponsabilidade financeira e falta de competitividade. O que estamos a viver é uma fotocópia de 1992. Há diferenças? Há. Em vez de moedas temos dívida soberana; em vez de Itália e Inglaterra temos Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália. Mas há uma semelhança, tirada a papel químico: os problemas que afectam o Euro são, grosso modo, os mesmos do SME (desequilíbrios orçamentais e falta de competitividade das economias). E há outra semelhança com 1992: o projecto não subsiste sem a Alemanha. Em 1992, a Europa ficou a saber que não se bate os mercados sem armas adequadas (a propósito, apesar do "downgrade" os investidores continuaram a comprar "Treasuries" americanas…). E se isso era verdade em 1992 é-o, por maioria de razão, agora. Só não é seguro que os intervenientes o tenham percebido. Uma coisa é certa: se o Euro quebrar, as consequências serão bem diferentes das de 1992. O estrondo (recessão) far-se-á sentir em todo o mundo. Alemanha incluída.» (in, Jornal de Negócios).
GOVERNO VAI SUBIR IVA PARA SUBSIDIAR EMPRESAS
O governo admite subir o IVA para compensar o corte na taxa social única (TSU) suportada pelas empresas, indica o estudo do Ministério das Finanças divulgado ontem à noite. O corte na TSU - a parte das contribuições pagas à Segurança Social pelas empresas - foi uma medida imposta pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para tentar desvalorizar artificialmente as exportações portuguesas, tornando-as mais competitivas. Na prática equivalerá a um corte indirecto no poder de compra, admite o governo: os consumidores vão subsidiar, pelo menos parcialmente, o corte dos encargos patronais. Apesar de ser puramente técnico, o estudo abre mais pistas sobre o que poderá acontecer. Em primeiro lugar, caso seja aplicado a todas as empresas o corte na TSU será de 3,75 pontos, muito inferior ao que o FMI recomendou pela voz de Poul Thomsen (o equivalente a 4 p. p. do PIB).
MANCHESTER SEGUE-SE A LONDRES E SOFRE OS MAIORES DISTÚRBIOS DESDE ANOS 40
A cidade de Manchester, no Norte do Reino Unido, regista esta noite de terça par quarta-feira os piores motins dos últimos 70 anos, anunciou a polícia local, referindo confrontos, pilhagens e actos de "violência gratuita". Estes actos de violência, cometidos por pessoas "que não têm razões para se manifestar" trouxeram "vergonha para as ruas" da cidade, afirmou Garry Shewan, chefe adjunto da polícia de Manchester. Pilhagens, vandalismo e confrontos com a polícia continuaram a registar-se em várias cidades inglesas mas de menor dimensão que os distúrbios registados nos últimos três dias em Londres, que está esta terça-feira mais calma. Há relatos de distúrbios de Salford, Wolverhampton, West Bromwich, Birmingham e Nottingham mas a situação mais grave é em Manchester.
FRANÇA EXPULSA 30.000 ILEGAIS ATÉ FINAL DESTE ANO
A França expulsou 17.500 estrangeiros ilegais em sete meses e espera atingir as 30.000 expulsões até final de 2011, anunciou, em Paris, o ministro do Interior, Claude Guéant. Claude Guéant, antigo chefe de gabinete do presidente francês, Nicolas Sarkozy, nomeado em Fevereiro para a pasta do Interior, considerou que a luta contra a imigração ilegal é agora "mais eficaz" graças a uma nova lei, promulgada a 16 de Junho, que estende o prazo de detenção dos clandestinos de 32 para 45 dias. Esse prazo, segundo o ministro francês, permite obter mais facilmente as autorizações de viagem dos consulados dos respectivos países de origem. A lei alonga também o prazo de intervenção de um juiz nos casos de detenção, de dois para cinco dias, motivo que originou uma forte crítica da oposição de esquerda e de algumas associações de estrangeiros em França, que denunciaram um aumento da extrema-direita no país. O controlo dos fluxos de imigração "continua uma prioridade, isto por uma razão política maior, porque se trata de uma visão da França de amanhã", sublinhou Claude Guéant.
RIA PARK HOTEL RESTITUI OBJECTOS À COMITIVA DO LUXEMBURGO ASSALTADA
A unidade hoteleira onde a selecção de futebol do Luxemburgo está instalada no Algarve comprou e restituiu hoje todos os objetos pessoais e dinheiro que foram roubados no domingo dos quartos de alguns elementos da comitiva luxemburguesa. Sobre a natureza dos objetos roubados, o presidente da Federação luxemburguesa confirmou ter sido “um dos lesados” e revelou que, além de objetos pessoais e algum dinheiro, foram também roubados “passaportes e documentos”. A satisfação de Paul Philipp pela atitude dos responsáveis pela unidade hoteleira leva-o a admitir fazer um estágio com a selecção luxemburguesa em dezembro ou janeiro próximo. “Certamente que é uma possibilidade. Quando vamos a um sítio onde somos bem tratados e nos sentimos bem, voltar é sempre uma forte possibilidade. Por que não?”, concluiu o presidente da federação luxemburguesa. Em declarações à Lusa, fonte do comando de Faro da GNR afirmou que “houve cinco quartos de pessoas da seleção do Luxemburgo que foram arrombados e dos quais foram roubados objetos pessoais, como telemóveis e ‘i-pods’, e algum dinheiro, quando a equipa estava a treinar ao final da tarde de domingo”. O tenente-coronel Oliveira, responsável pelas relações públicas do Comando da GNR de Faro, precisou que dos cinco quartos assaltados no Ria Park Hotel, no Vale do Garrão, em Almancil, concelho de Loulé, quatro pertenciam a jogadores e um a outro elemento da comitiva. “Assim que tomou conta da ocorrência, a GNR deslocou para o local uma equipa para recolher vestígios e indícios e está analisar tudo para tentar identificar e deter os autores do crime”, disse ainda. A mesma fonte disse que as imagens das câmaras de vídeo-vigilância da unidade hoteleira também estão a ser analisadas para se tentar identificar os criminosos. A seleção do Luxemburgo defronta Portugal na quarta-feira, em jogo particular de preparação para a fase de qualificação para o Europeu de 2012, que se disputa no estádio Algarve, em Faro/Loulé.
TAP TEM DE RECEBER INJECÇÃO DE CAPITAL DE PELO MENOS 400 MILHÕES DE EUROS
Em 2010, os capitais próprios da companhia depreciaram para os 264 milhões negativos. A TAP está mais descapitalizada. No final do ano passado, o grupo que controla da companhia aérea de bandeira apresentava capitais próprios negativos de 264,8 milhões de euros, representando um agravamento de cerca de 29% face ao registado no ano anterior. Já nas contas individuais do grupo, a penalização é mais evidente, uma vez que o capital próprio passou de 167 milhões de euros negativos, para 304 milhões negativos.
GALP PERDE 9% E REGRESSA A MÍNIMOS DE 2010
A queda dos preços do petróleo está a arrastar todo o sector petrolífero. A Galp Energia não é excepção é desliza mais de 9% para mínimos de Junho de 2010. A Galp Energia está a afundar 9,21% para 11,785 euros, atingindo um mínimo de pouco mais de um ano. A contribuir para esta evolução está o comportamento dos preços do petróleo, que estão a arrastar todo o sector para quedas acentuadas. O índice europeu que agrega as maiores petrolíferas, o Dow Jones, cai 2,92% para 267,53 pontos, tendo já tocado em mínimos de Abril de 2009. Isto numa altura em que a Total perde 3,20% para 32,23 euros, a BP cai 3,16% para 390,30 pence e a Shell, no mercado holandês, recua 5,19% para 20,64 euros. O West Texas Intermediate (WTI), negociado em Nova Iorque, desce 2,47% para 79,30 dólares por barril. E em Londres, o Brent, cede 1,61% para 102,07 dólares, o que corresponde ao valor mais baixo desde Fevereiro. O corte de "rating" dos EUA, por parte da S&P, e o alerta sobre a possibilidade de voltar a ser alvo de uma redução aumentou os receios de um abrandamento, se não mesmo de uma recessão da economia norte-americana. Este cenário está a pressionar o sector petrolífero, já que com uma economia a crescer menos a tendência será para que haja menor consumo de combustíveis.
MAIOR ARMAZÉM DA SONY EM INGLATERRA DESTRUÍDO PELOS MOTINS DE LONDRES
O principal centro distribuidor de discos ópticos da Sony (Blu-ray, DVD's e CD's, filmes e jogos) em Inglaterra, situado na zona norte de Londres - em Enfield - ardeu totalmente até esta manhã. O armazém é um dos seis que a Sony tem por toda a Europa. Os prejuízos são imensos e elevam a catástrofe dos motins às lojas de Londres e outras cidades a uma escala verdadeiramente mundial. Inglaterra pode estar neste mesmo momento a preparar um plano militar para criar um verdadeiro Estado de Sítio por todo o país, tudo em vésperas dos Jogos Olímpicos, que terão lugar já em 2012. Passados exactamente 30 anos sobre os famosos motins de Brixton em 1981, esta nova onda de caos urbano ganha agora uma escala nunca vista nas últimas décadas em toda a Europa. O maior impacto na distribuição de produtos Sony pela Europa será essencialmente na Inglaterra e Irlanda, mas é natural que outros países acabem por ser afectados indirectamente. A Sony de Tóquio informou que alguns funcionários tinham sofrido ferimentos mas as causas do incêndio ainda não estão bem determinadas, inclusivamente se foi mesmo originado por jovens amotinados, a causa mais provável. Uma testemunha ocular informou que tinha visto jovens transportarem cocktails molotov minutos antes do início do incêndio, nas imediações do edifício. A polícia informou que aproximadamente 334 pessoas tinham sido mortas durante os tumultos por toda a cidade de Londres. Foi aumentado o número de polícias nas ruas da capital para 1.700 e todas as folgas e férias das forças policiais foram canceladas momentaneamente. Os tumultos que começaram no sábado passado em Tottenham ainda vão dar muito que falar nos próximos tempos. Haverá alguma estratégia da extrema-direita ou dos anarquistas por detrás destes tumultos? Ou de ambos? Está o estado social europeu a dar os primeiros sinais de uma revolta popular face à ingestão e incompetência europeia? Estamos perante de uma kristallnacht copycat?
PÂNICO MUNDIAL NAS BOLSAS DE VALORES FAZ LISBOA DESCER 5%
Os investidores voltaram a fugir das bolsas europeias, apavorados com uma eventual recessão mundial e a crise de dívida. O PSI 20, o principal índice português, perde 4,98% para 5.752,04, em linha com o resto da Europa, depois de um início de sessão marcado por subidas acentuadas, após o minicrash de ontem nos mercados mundiais, a caminho da oitava sessão de perdas consecutivas, o maior ciclo de perdas desde 2003. A bolsa de Madrid recua 3,49%, ao mesmo tempo que a praça de Paris cede 3,59% e o mercado de Londres cede 4,61. O pior desempenho pertence à bolsa de Frankfurt, que afunda 5,48%. Medos sobre economia mundial e a crise de dívida levam novamente o caos às bolsas. O corte de ‘rating' dos EUA pode ter sido a gota de água num lote cada vez maior de preocupações. "Causa mossa na confiança [corte do 'rating' dos EUA pela S&P]. Os investidores já têm de digerir uma perspectiva mais fraca de crescimento (ou mesmo de ausência de crescimento). Adicionalmente têm de absorver os choques da Europa. Agora são os EUA a causarem mais dor", referiu numa nota aos investidores o economista-chefe da XTB, Przemyslaw Kwiecien. Em Lisboa, destaque para as quedas das energéticas: Galp (8,26%), EDP (-3,64%) e Renováveis (-5,62%). Também a Portugal Telecom e Jerónimo Martins sofrem perdas pesadas, de 4,97% e 3,33%, respectivamente.
MOTINS DE LONDRES ALASTRAM A VÁRIAS CIDADES E GERAM ONDA DE RACISMO
Terceira noite de violência em Londres. Vários prédios arderam esta noite na cidade, à imagem do impressionante fogo que tomou um edifício no oeste da capital. Os motins alastraram-se do norte para outras zonas no sul, leste e oeste de Londres. Ealing, Camden, Chapham, Hackney, Peckham, Lewisham e Croydon são alguns dos bairros afetados. Mas a vaga de violência já tomou outras cidades, como Liverpool, Birmingham, Manchester e Bristol. O primeiro-Ministro, David Cameron, encurtou as férias em Itália para presidir, esta terça-feira, a um encontro do comité Cobra, organismo que lida com questões de segurança e violência extrema. Nos últimos três dias, foram detidas cerca de 240 pessoas em Londres. Em Liverpool, foram também incendiados carros e registados vários atos de vandalismo. Grupos de jovens lançaram garrafas, caixotes de lixo e outros projetéis contra a polícia. Birmingham esteve também a ferro e fogo esta noite. Foram detidas pelo menos cem pessoas. Várias lojas foram atacadas e pilhadas. A vaga de violência começou no sábado em Tottenham, no norte de Londres, na sequência da morte, na quinta-feira, de um indivíduo de 29 anos num incidente com a polícia. O vice-primeiro-ministro, Nick Clegg, afirmou que a violência “não tem absolutamente nada a ver com a morte” do jovem. A ministra do Interior, Theresa May, classificou o que se está a passar como “pura delinquência”. Por sua vez, policía britânica culpou as redes sociais de espalharem a violência. O vídeo em: http://pt.euronews.net/2011/08/09/motins-de-londres-alastram-se-a-outras-cidades/.
BCE TENTA DESESPERADAMENTE SALVAR ESPANHA E ITÁLIA DE DÍVIDAS SOBERANAS
De acordo com o Financial Times, o Banco Central Europeu (BCE) começou a comprar dívida assim que o mercado de obrigações abriu. Ontem o BCE anunciou que ia começar a “aplicar activamente o seu programa” de compra de obrigações no mercado secundário, sem referir especificamente se era dívida espanhola ou italiana. O BCE elogiou as novas medidas e reformas “nos domínios públicos das políticas orçamentais e estruturais» de Espanha e Itália. É “fundamental que os governos estejam preparados para activar o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira no mercado secundário, com base numa análise do BCE que reconheça a existência de circunstâncias e riscos excepcionais para a estabilidade financeira nos mercados financeiros, uma vez que o Fundo esteja operacional”, referiu a instituição. Antes da abertura dos mercados asiáticos, os ministros das finanças e os governadores dos bancos centrais dos países do G7 anunciaram que estão dispostos a “tomar todas as medidas necessárias para garantir a estabilidade financeira e o crescimento” da economia mundial. Contudo, as bolsas na Ásia caíram numa reacção ao corte de rating dos Estados Unidos.
MÁFIA DA SAÚDE DÁ AVISOS A MEDIDAS DE PASSOS COELHO
Com a redução da margem de lucro das farmacêuticas devido às medidas implementadas pelo Governo, os "interessados" começam já a queixar-se. José Manuel Silva, o bastonário da Ordem dos Médicos, tem dúvidas de que a entrega de medicamentos a idosos, prevista no programa de emergência social do governo, possa gerar "poupanças". O executivo pretende entregar às instituições sociais os medicamentos "existentes na indústria farmacêutica que não entram no circuito comercial por estarem no final do prazo de validade". O bastonário diz que a implementação da medida tem "custos significativos", já que é preciso "montar uma rede de recolha e de distribuição". "Não é uma medida para tomar de ânimo leve. Tem uma logística pesada", acrescenta José Manuel Silva, realçando que "é preciso estudar para ver se não se chega ao fim e não se percebe que não se poupou nada". O governo prevê distribuir, numa fase inicial, entre 30 mil e 35 mil embalagens de medicamentos. O plano de emergência social, apresentado pelo ministro Pedro Mota Soares na sexta-feira, foi alvo de críticas, principalmente dos partidos de esquerda. Francisco Louçã acusou o governo, num comício em Armação de Pêra, de "estudar a ideia" de pôr os desempregados a trabalhar "gratuitamente" para o sector privado. Também a contratação de clínicos colombianos, porto-riquenhos e cubanos saiu mais cara ao país do que poderia ter saído a contratação de médicos nacionais, defende o bastonário. Em relação à formação dos médicos, o problema não é exclusivo dos médicos estrangeiros. Embora as suas licenciaturas sejam reconhecidas por uma das faculdades de Medicina, não possuem o grau da especialidade necessária. Esta área da medicina é muito exigente, pois o médico "tem de ter conhecimentos de diversos campos da medicina", da pediatria à cardiologia, passando pela geriatria e pela psiquiatria. Há também muitas empresas privadas de contratação que colocam clínicos nacionais nos centros de saúde sem que estes tenham a necessária especialização, como acontece em Lisboa, por exemplo.
PRESIDENTE DO ISEG JOÃO DUQUE NÃO TEM DÚVIDAS: "EUROPA VAI-SE DESMORONAR"
João Duque, professor de Finanças e presidente do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), utiliza palavras duras sobre uma Europa à beira do colapso e sem gente capaz de a segurar. «Com esta gente não tínhamos feito o euro. E com esta gente arriscamo-nos a desfazer o euro! [...] Sair do euro, sozinhos, nunca. Portugal não tem condições nenhumas, não tem crescimento económico, não tem equilíbrio na balança comercial, não tem meios de financiamento alternativos... Não tem nada! Por outro lado, se sair toda a gente, nós não somos o foco, não somos a ovelha ronhosa... Isto é como uma manada em andamento, de vez em quando larga uns que estão mais debilitados para os chacais. Já estamos cá atrás da manada, se nos largam, morremos! [...] Há aqui uma potência muito poderosa, que lidera, e que lidera mal. Lidera mal uma Europa... A maior parte das exportações alemãs são para a Europa, para a União Europeia. E, portanto, se eles contam resolver o problema deles deixando os outros numa situação muito debilitada, isso significa que não estão a resolver nada. E deixa-se a Europa à mercê do abutre de maior dimensão.»
MOTINS DE JOVENS EM LONDRES DURANTE DUAS NOITES LANÇAM O CAOS NA CIDADE
Vários bairros de Londres voltaram esta noite a ser palco de incidentes com grupos de jovens a desafiarem a polícia e a pilharem lojas. Desde ontem que foram detidas mais 100 pessoas (a somar às 61 detidas no sábado) e mais nove polícias ficaram feridos, segundo a Reuters. As autoridades descrevem que estas novas acções de pilhagem e violência são "copycats" da noite de sábado, em Tottenham. Mas a população de alguns dos bairros que "aderiram" às pilhagens descrevem brutalidade por parte da polícia na tentativa de conter as manifestações, acabando por ter um resultado inverso ao desejado pelas autoridades. Em Brixton, no sul de Londres, centenas de pessoas pilharam uma grande superfície comercial de material elétrico e grupos de jovens lançaram projeteis sobre as forças de ordem. Segundo a Scotland Yard, citada pela agência noticiosa francesa AFP, as pilhagens ocorreram em vários bairros em sequência dos confrontos que tiveram lugar na noite de sábado para domingo em Tottenham, um bairro multiétnico onde veículos e edifícios foram incendiados e lojas pilhadas. Um total de 29 pessoas ficaram feridas naqueles que foram os piores incidentes na capital britânica nos últimos anos. Um grupo de 50 jovens causou também esta noite danos em Oxford Circus, no coração de Londres, segundo a polícia. Várias pessoas foram detidas, 55 das quais já tinham sido presas no sábado, e reforços policiais foram mobilizados para os locais onde ocorreram os incidentes. Três agentes da polícia foram hospitalizados depois de terem sido atingidos por um veículo. Os primeiros incidentes ocorreram na noite de sábado durante uma manifestação para reclamar “justiça” pela morte do jovem Mark Duggan, de 29 anos, em sequência de uma troca de tiros com a polícia em Tottenham. (in, Jornal i).
PORTUGUESES RETIRAM 876 MILHÕES DOS PPR'S
Como sabemos a segurança social enfrenta graves problemas financeiros. Os próprios números do governo estimam que a falência ocorrerá por volta de 2035. Além disso, o futuro das reformas no nosso país não é nada risonho, não sendo este apenas um problema exclusivo de Portugal. A maior parte dos países desenvolvidos enfrenta graves problemas no financiamento da segurança social. O problema está, em parte, nas decisões políticas, mas o fulcro da crise financeira da segurança social é a evolução demográfica. Neste momento, há cada vez mais pensionistas e cada vez menos pessoas a contribuir para a segurança social, o que mais tarde ou mais cedo resultará em pouca liquidez da segurança social e eventualmente será necessário mudar as regras de acesso a pensões de modo a que o dinheiro chegue para todos. A preocupação dos portugueses com o futuro e a reforma cresceu até 2010 e, tal facto, reflectiu-se num aumento do investimento em PPR de 9,6% em 2010, segundo o relatório anual da Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios (APFIPP). No entanto, os planos poupança reforma (PPR) perderam boa parte do seu interesse em 2011, com as alterações introduzidas pelo Orçamento do Estado. Com comissões elevadas e grandes restrições à mobilização antes da reforma, a principal vantagem dos PPR até este ano era a dedução fiscal de 300€ a 400€ no IRS, em função da idade dos subscritores. No entanto, com os cortes orçamentais impostos pelo Governo, também esta vantagem desapareceu para a maioria dos investidores.
EX-PRESIDENTE DA COMISSÃO EUROPEIA: "NÃO SE SABE QUEM MANDA NA EUROPA"
O antecessor de Barroso na Comissão Europeia e antigo primeiro-ministro italiano deixa também críticas ao governo de Berlusconi. "Não sabemos quem manda na Europa", afirmou Romano Prodi em entrevista à BBC Radio 4. Citado pela Bloomberg, o antigo primeiro-ministro italiano disse também que este não é o momento apropriado para mudar de Governo em Itália, apesar de não poupar críticas ao Executivo liderado por Berlusconi. "Não se pode mudar de governo durante a tempestade se não se tem uma alternativa clara", disse Prodi. "Este governo tem sido absolutamente incapaz de lidar com qualquer problema", continuou o antecessor de Berlusconi, acrescentando que "não se pode [mudar de Executivo] porque não há uma alternativa no momento".
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