BOLSAS EM QUEDA DEPOIS DE PROPOSTAS SEPARATISTAS DE MERKEL E SARKOZY

a crise europeia não é económica, mas política: é clara a incompetência das chefias da UE

Merkel e Sarkozy falharam em acalmar os mercados, que reagiram hoje em baixa às últimas propostas dos dois líderes europeus, anunciadas ontem em Paris, para (tentar) travar a crise europeia: a criação de um governo económico da zona euro e a imposição de limites à dívida na Constituição dos países que usam a moeda única. Na primeira reacção dos mercados, Londres, Frankfurt, Paris, Madrid, Milão e Lisboa abriram em terreno negativo, em alguns casos com descidas superiores a 1%. No mercado cambial o euro desvalorizava pelo segundo dia consecutivo contra o dólar, negociando nos 1,4342 dólares. "O resultado da reunião, sem um projecto para as ‘eurobonds', não foi convincente", resumia Patrice Perois, da Kepler Capital Markets, à Reuters, numa altura em que os títulos da Deutsche Boerse perdiam 4% e as acções da London Stock Exchange Group cediam 6%. Outra das propostas do eixo franco-alemão é a criação de uma taxa sobre as transacções financeiras. Em Lisboa o PSI 20 escorregava 0,62% para 6.198,93 pontos com os pesos pesados Galp Energia, Jerónimo Martins, EDP e Portugal Telecom todos com sinal negativo. Na banca também ninguém escapava às perdas e o BCP, a cair 0,75% para 0,26 euros, aproxima-se mesmo de um novo mínimo histórico intra-diário. Do lado positivo a Cimpor valorizava 1,57% para 5,17 euros depois de ter apresentado hoje, antes da abertura do mercado, um crescimento de 34% para 132,2 milhões de euros dos lucros do primeiro semestre, desempenho que superou as estimativas dos analistas sondados pela Reuters. (in, Económico).

PORTUGAL TERÁ RECESSÃO AUSTERA ATÉ FINAL DO ANO

tal como Obama, o charme de Passos desiludiu, neste caso em apenas dois meses

A riqueza produzida em Portugal caiu 0,9% no primeiro semestre e estagnou em cadeia. Na segunda metade do ano, a recessão vai ser mais grave. O abrandamento mais forte do que o esperado das economias europeias poderá comprometer o desempenho das exportações nacionais e, consequentemente, da economia que conseguiu, no segundo trimestre não contrair face aos três meses anteriores. Assim, no próximo semestre Portugal deverá registar, em termos homólogos, uma contracção de 3,4%, terminando o ano com uma quebra em torno dos 2%. Governo, Banco de Portugal e Fundo Monetário Internacional apontam para uma queda do PIB entre 2% e 2,3% em 2011. O economista-chefe do Santander Negócios, Rui Constantino admite "uma contracção do investimento não muito diferente do passado recente", "um acentuar da redução da despesa", logo do consumo público, e uma contracção do consumo privado que será acentuada até ao final do ano, não só devido ao impacto da subida do IVA da electricidade e do gás, mas também pela contribuição especial que incidirá sobre os subsídios de Natal e os efeitos dos receios do conjunto de medidas de austeridade. "O que aí vem é o pior", confirma Filipe Garcia. O economista da consultora IMF sublinha que tanto a "procura interna como a procura externa vão enfrentar contextos piores". "Vamos ver os efeitos do plano de austeridade e continuar a ver os efeitos da desalavancagem da economia. Sem crédito não há aquisição de bens duradouros", sublinha, acrescentando os efeitos que se farão sentir sobre as expectativas dos agentes económicos.

PS ALERTA QUE MAIS AUSTERIDADE CONDUZIRÁ A RECESSÃO PROFUNDA

deputado anti-Sócrates do PS contra o arrefecimento forçado da economia pela Troika

PS diz que os dados do INE provam que não é com mais austeridade que se reconquista o crescimento económico. "Mais do que os dados sobre a economia portuguesa é muito preocupante o arrefecimento brutal da economia porque pode colocar em causa as nossas exportações", disse ao Económico João Galamba, deputado do PS. O responsável aponta baterias ao Governo português mas, também, a todos os Governos de centro-direita que lideram países europeus. "Espero que estes dados levem o Partido Popular Europeu e o centro-direita a mudar de política porque austeridade adicional conduzirá a Europa a uma recessão profunda e a um desemprego elevado", afirmou. O deputado reagia aos números do INE que foram hoje divulgados e que mostraram que a economia nacional sofreu uma contracção de 0,9% no segundo trimestre, em relação ao mesmo período do ano passado, e uma variação nula face ao trimestre anterior.

PPR'S DO ESTADO DÃO OS MAIORES PREJUÍZOS DE SEMPRE

gestor dos PPR's do Estado, Manuel Baganha, com cabeça a prémio

Os Certificados de Reforma registaram nos últimos 12 meses uma rentabilidade negativa de 5,73%. Os fracos retornos deste produto de poupança para a reforma lançado pelo Estado em Março de 2008 têm sido recorrentes, mas no último mês a situação agravou-se. Segundo o folheto informativo de Agosto, divulgado pelo Instituto de Gestão de Fundos de Capitalização da Segurança Social (IGFCSS), nos últimos 12 meses o PPR do Estado registou uma rentabilidade negativa de 5,73% suplantando assim a perda de 2,48% nos 12 meses terminados no mês anterior. Trata-se do pior desempenho de sempre para o PPR do Estado, que não conseguiu assim escapar às fortes quedas que atingiram os mercados accionistas nos primeiros dias de Agosto, período ainda abrangido por este relatório.

TROIKA PEDE AUSTERIDADE EXTREMA A PORTUGAL, FMI APELA A MODERAÇÃO

Lagarde teme que austeridade extrema aniquile países como Grécia, Portugal e Irlanda

Christine Lagarde pede aos governos que não penalizem o crescimento mundial com políticas orçamentais demasiado austeras. Lutar contra os problemas das dívidas soberanas não deve asfixiar o crescimento económico. É esta a mensagem dirigida hoje por Christine Lagarde aos governos mundiais num artigo publicado no Financial Times. A nova directora do FMI apela a alguma moderação, dado que vários planos de austeridade "massivos" foram já aprovados ou estão em preparação em diversos países. Mais e mais austeridade, avisa, poderá "bloquear a retoma mundial". No mesmo tom alarmista que o seu antecessor, Dominique Strauss-Kahn, Lagarde dirigiu-se sobretudo às "economias avançadas", para as quais "existe uma necessidade inequívoca de restaurar a sustentabilidade orçamental através de planos de consolidação credíveis", admite Lagarde. "Mas ao mesmo tempo sabemos que travar demasiado depressa vai penalizar a retoma e agravar as perspectivas para o mercado de trabalho", considera a directora do FMI, acrescentando que, "por isso, os ajustamentos orçamentais não devem ser nem demasiado rápidos nem demasiado lentos". Segundo a responsável, o que é preciso é que os governos concentrem os seus esforços "na consolidação orçamental no médio prazo e, no curto prazo, no apoio ao crescimento e mercado de trabalho", o que "pode parecer contraditório", mas, nota, são esforços que "se reforçam mutuamente". Lagarde alerta ainda que os cortes na despesa não serão suficientes e que as receitas devem igualmente aumentar, concentrando-se sobretudo em "medidas que tenham o menor efeito na procura".

MINISTRO DA ECONOMIA DEFENDE HOJE EM ESPANHA SUSPENSÃO DO TGV

novo Governo termina assim com o sonho de José Sócrates, pesadelo de endividamento

O ministro da Economia português reúne-se hoje, em Madrid, com o ministro do Fomento espanhol para fazer um ponto de situação dos projectos ferroviários e rodoviários entre os dois países. O encontro de hoje será uma “reunião de trabalho” com o objectivo de fazer um ponto de situação dos projectos ferroviários e rodoviários transfronteiriços, disse nesta terça-feira fonte oficial do Ministério da Economia. O encontro terá início às 11h30, hora de Madrid (10h30 de Lisboa). Entre estes projectos está a ligação de alta velocidade entre Lisboa e Madrid, que o actual Governo defende que deve ser suspensa “porque é um projecto oneroso”. Segundo fontes oficiais consultadas pela agência Efe, o ministro Santos Pereira explicará ao homólogo espanhol, José Blanco, que “a falta de dinheiro” resultante da crise que afecta Portugal impossibilita a concretização da linha de alta velocidade entre Lisboa e Madrid, projecto com inicio previsto para 2013 e impulsionado pelo anterior Governo. As mesmas fontes, citadas pela Efe, assinalaram que os dois ministros deverão abordar no encontro “alternativas mais rentáveis em tempos de crise”, nomeadamente a promoção do transporte ferroviário de mercadorias com a Europa para impulsionar as exportações.

ALEMANHA E FRANÇA DESUNEM-SE DA UE DESCOLANDO-SE DE PAÍSES MORIBUNDOS

Alemanha e França assumem federação a dois tentando manter o objectivo original da UE

Um governo económico para a zona euro e uma taxa sobre as transações financeiras, estas são as medidas mais relevantes saídas da cimeira franco-alemã desta terça-feira que serviu para Angela Merkel e Nicolas Sarkozy debaterem soluções para a crise na zona euro. O objetivo dos dois líderes europeus ficou claro. “As nossas propostas destinam-se a reconquistar a confiança dos mercados. Estamos convencidos que com uma ação permanente e com um trabalho profundo, vamos conseguir ganhar essa confiança”, disse Merkel em conferência de imprensa. Mas a confiança não se conquista com palavras ou com medidas que não atacam o problema. O analista Pieter Cleppe, do Open Europe, explica o que na sua opinião está errado na abordagem de Merkel e Sarkozy. “Eles falham em perceber que os problemas na eurozona não se devem à política orçamental mas sim à política monetária. Tudo pelo facto de ser muito difícil ter uma política monetária única para toda a eurozona. Quando a Alemanha estava a crescer muito lentamente, a Espanha e a Irlanda crescer muito rapidamente, logo, taxas de juro muito baixas eram bastante prejudiciais para espanhóis e irlandeses”, refere. Sarkozy e Merkel recusaram reforçar o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira. Quanto aos tão falados títulos conjuntos de dívida europeia, ambos concordaram que será apenas uma solução a longo prazo.

RÚSSIA NEGOCEIA COM IRÃO APOIO AO PROGRAMA NUCLEAR DE AHMADINEJAD

nesta jogada inteligente, o Irão acelera o seu programa nuclear e retarda ataque da NATO

Mahmud Ahmadinejad, mostra-se satisfeito com a proposta russa de uma aproximação “passo a passo” para retomar as discussões sobre o controverso programa nuclear iraniano. O Presidente do Irão afirma que o seu país está, inclusivamente, pronto a apresentar sugestões para cooperar neste domínio. As informações foram reveladas à margem de um encontro com o secretário do Conselho de Segurança russo. Esta proposta foi referida pelo ministro dos Negócios Estrangeiros russo, em meados de julho, o país pretende relançar as negociações nucleares com o Irão. As grandes potências deverão, segundo esta proposta, responder a cada passo positivo, aliviando as sanções internacionais contra Teerão.

BANCO CENTRAL EUROPEU COMPRA EM DESESPERO MAIS 22 MIL MILHÕES DE DÍVIDAS

banca e políticos da UE tentam em gestos de desespero salvar-se da crise que originaram

Depois de 19 semanas de 'jejum', o BCE voltou ao mercado na semana passada para comprar títulos de dívida da zona euro. Os dados divulgados hoje mostram que o Banco Central Europeu (BCE) comprou 22 mil milhões de euros em títulos de dívida pública de países do euro na semana passada, o montante mais elevado desde o início das operações de compra de títulos de dívida pública da zona euro, em Maio do ano passado. Esta compra recorde de títulos de divida europeia aconteceu na semana em que os mercados castigaram particularmente os juros sobre divida italiana e espanhola. Na base da pressão estiveram os receios em torno da saúde dessas duas economias da zona euro, cujo risco de divida registou níveis recorde, acima dos 6 e 5%, respectivamente. Desde que o programa de compras de obrigações foi lançado, o BCE já comprou obrigações de países no valor 96 mil milhões de euros, o que ajudou a aliviar alguma tensão nos mercados de títulos soberanos.

ECONOMIA ALEMÃ COM CRESCIMENTO ZERO "ENGOLIDA" PELA CRISE DA AUSTERIDADE

Merkel esticou o elástico aos mais pobres da UE; agora a austeridade chega à Alemanha

A maior economia europeia cresceu apenas 0,1% no segundo trimestre, face aos três primeiros meses do ano. No primeiro trimestre de 2011 a economia alemã tinha avançado 1,3%, crescimento que arrefeceu no segundo trimestre para apenas 0,1%, anunciou hoje o instituto oficial de estatísticas alemão. A crise da dívida soberana europeia está na base deste arrefecimento. Os economistas sondados pela agência Bloomberg apontavam para uma progressão em cadeia de 0,5%. Em termos homólogos o PIB germânico cresceu 2,8%. Os números motivaram uma abertura em baixa das bolsas europeias - o DAX alemão perdia mais de 1% - e estão também a pressionar o euro, que recuava 0,43% para 1,4382 dólares.

CGTP PROMETE LUTA CONTRA MEDIDAS SOCIALMENTE DESTRUTIVAS E TROIKISTAS

cegueira social de um governo troikista está a levar portugueses à bancarrota

Enquanto o Governo prepara o maior corte na despesa dos "últimos cinquenta anos", a CGTP decide novas iniciativas de contestação. "Todas as formas de luta estão em cima da mesa", afirmou ontem Arménio Carlos, da CGTP. No mesmo discurso em que defendeu um ambicioso plano de redução da despesa pública, no domingo, o primeiro-ministro fez um apelo directo aos parceiros sociais para evitar manifestações e conflitos sociais, os quais parecem neste momento a única solução para derrubar um governo com apenas dois meses, pior que o anterior Governo de Sócrates para a classe média. Arménio Carlos, da CGTP, apelidou de "hipócrita" o discurso de Passos Coelho. "Estamos perante um processo [de negociação] subvertido e sem credibilidade", afirma, criticando o que considera ser um "ataque" à contratação colectiva e aos direitos laborais, bem como a ausência de medidas eficazes de combate à fraude fiscal. "Perante o que se está a passar não há outra resposta senão o aumento da contestação", diz, salientando que as novas iniciativas serão decididas no final de Agosto. As declarações de Jerónimo de Sousa, do PCP, vão no mesmo sentido. "Faremos a luta, organizada, não para destruir mas para construir a alternativa", num discurso onde rejeitou qualquer acordo de concertação social. A CGTP acusou recentemente o Governo de ser "troca-tintas" e classificou como "inaceitável" e um "roubo" o aumento do IVA nas tarifas de electricidade e gás, conforme anunciado na semana passada, pelo Governo.

INVESTIMENTO DO ESTADO NOS FUNDOS DE PENSÕES É NEGÓCIO DE PERDA DE MILHÕES

medidas da Troika destinam-se apenas a preparar Portugal para a saída da Zona Euro

Perdas potenciais de 600 milhões de euros em 2010, avança o jornal i na edição de hoje. Diz que este é o resultado do investimento massivo em dívida pública portuguesa da Caixa Geral de Aposentações. O cenário ameaça piorar em 2011 no organismo que paga as reformas dos funcionários do Estado. A dívida pública da Caixa Geral de Aposentações perde 600 milhões do seu valor em 2010. Quem o conta é o jornal i na edição de hoje. Avança ainda que a menos-valia potencial será maior este ano com o fundo de pensões da Portugal Telecom e a queda do mercado. Ou seja, o investimento massivo da dívida pública portuguesa originou perdas potenciais de mais de 600 milhões de euros na Caixa Geral de Aposentações só em 2010 e a factura vai subir este ano. Até Maio, o fundo da Segurança Social registava uma perda potencial de 20% ou 800 milhões de euros.

MANIFESTAÇÃO NO ALGARVE CONTRA PORTAGENS NA VIA DO INFANTE

região de habitantes pobres; pagar portagens será regredir em segurança aos anos 70


Várias dezenas de pessoas protestaram, esta segunda-feira, contra a introdução de portagens na Via do Infante, com a realização de um cordão humano na Estrada Nacional 125, perto de Faro, que obrigou ao corte do trânsito. O protesto, convocado pela Comissão de Utentes da Via do Infante (A22) e pelo Movimento contra as Portagens na A22, teve uma participação pouco numerosa mas, mesmo assim, os organizadores mostraram-se satisfeitos com os objectivos alcançados. "Foi positivo, até porque isto era uma acção simbólica, sabíamos que era difícil, estiveram aqui uma dezenas largas de pessoas, e é para manter bem viva a chama da luta contra as portagens a Via Infante. Como já referi anteriormente, isto é o início de um conjunto de acções que iremos ter no futuro contra a introdução de portagens", afirmou João Vasconcelos, da Comissão de Utentes. João Vasconcelos frisou ainda que o objectivo foi "demonstrar que os algarvios não desistem, vão continuar a lutar, porque sabemos que portajar a Via do Infante será uma machadada tremenda na economia e na sociedade do Algarve".



RELAÇÃO COM MENOR OBRIGA POLÍTICO DO PARTIDO DE MERKEL A ABANDONAR CARGO

o partido de Merkel continua a levar machadadas na sua credibilidade e competência

Um líder regional do CDU, o partido da chanceler alemã Angela Merkel, renunciou esta segunda-feira ao cargo após ter vindo a público que manteve uma relação amorosa com uma jovem de 16 anos em 2010, que terá conhecido através das redes sociais. Christian von Boetticher, presidente da CDU no estado federal de Schleswig-Holstein, admitiu ter "avaliado mal a componentea moral da relação" com a menor, que não foi identificada. O político, que tem 40 anos, não será investigado por pedofilia, uma vez que a idade mínima de consentimento na Alemanha é de 16 anos. O caso constitui, no entanto, um sério embaraço para o partido de Merkel, que governa o estado de Schleswig-Holstein em coligação com os Democratas Livres.

POLÍCIAS E MILITARES PREPARAM REVOLTA NAS RUAS CONTRA MEDIDAS DO GOVERNO

na 3.ª semana de Setembro criminalidade não vigiada, sem oposição policial nas ruas...

Mais de 30 mil polícias e militares ameaçam com a maior acção de contestação às políticas do Governo de que há memória já em Setembro. Desfile fardado inédito em preparação. As várias forças que compõem a Comissão Coordenadora de Segurança - PSP, GNR, ASAE, SEF, Polícia Marítima e Serviços Prisionais - realizaram um almoço, no sábado, no qual definiram a terceira semana de Setembro como a semana de revolta das forças e serviços de segurança. A ideia, apurou o DN, é que os Serviços Prisionais, a ASAE e o SEF avancem com greves ao longo dessa semana, e que, em simultâneo, PSP, GNR e Polícia Marítima protestem com o que podem, ou seja, recorrendo a baixas médicas ou férias para não ir trabalhar nesses dias.Uma adesão maciça à revolta significaria a paralisação de mais de 50 mil profissionais destas forças e serviços de segurança durante uma semana.

MACÁRIO CORREIA CONTRA MEDIDAS SUFOCANTES DO GOVERNO SOBRE GERAÇÃO 500€

antes de ir ao Pontal, Macário criticou as duras medidas do Governo contra os mais pobres

O Presidente social-democrata da Câmara de Faro atacou as políticas de Passos Coelho por serem desumanas para a geração dos 500 euros - aumento dos passes, da electricidade e do gás - bens essenciais à sobrevivência financeira dos mais desfavorecidos. Queixou-se também de que a banca fechou a torneira do crédito às autarquias e protesta contra remunerações "de pasmar" nos gabinetes do Governo. "Ou o Governo toma decisões nos próximos dias, ou podemos ter municípios em estrangulamento total". O alerta é de Macário Correia que, em 2009, recuperou para o PSD a presidência da câmara de Faro. O social-democrata diz que os bancos cortaram no crédito às autarquias, porque foram instruídos pelo Governo e pela troika a concentrarem os fundos disponíveis no crédito à economia privada. O resultado é que "há câmaras que estão a pagar os vencimentos dos seus funcionários com receitas da água, que deveriam pagar à Águas do Algarve". O autarca defende também que é necessária uma "atitude mais coerente" por parte do Governo, referindo-se ao aumento de remunerações, administradores, assessores e adjuntos no Executivo e em empresas públicas, que nalguns casos "são de pasmar". "É necessário que nas próximas semanas o Governo dê sinais sobre o que quer fazer com estes chorudos salários dos gestores públicos, coisa que choca toda a gente. Não vejo nos casos da CGD e da CP que tenham sido tomadas numa linha de rumo diferente daquela que era do passado e que nós criticamos", insurge-se. "No espaço de seis meses vemos um conjunto de reduções nos rendimentos das famílias, cortes nos vencimentos, aumentos nos transportes, cortes nos subsídios de Natal. Do lado do Governo os sinais das últimas semanas têm algumas contradições", sublinha Macário Correia referindo-se ao número de membros dos gabinetes ministriais, a sua remuneração, e ao aumento de vencimentos de administradores de empresas públicas.

ANTÓNIO COSTA QUER QUE LISBOETAS PAGUEM PORTAGENS NO IC19 E IC2

políticos ávidos de receitas face à crise, continuam a sobrecarregar a classe média

A Câmara Municipal de Lisboa aguarda a marcação de uma audiência com o secretário de estado dos transportes para discutir este tema. A Câmara Municipal de Lisboa (CML) quer portagens no IC19 e no IC2. A autarquia quer cobrar taxas a todos os carros que entram na capital para financiar os transportes públicos, avança a TVI24. A CML começou a estudar com o anterior Governo a criação de uma empresa pública única, que junte a Carris e o Metro à empresa de estacionamento público de lisboa, que é uma fonte de receitas. Para que não acumule prejuízos, essa nova empresa seria financiada com a introdução de portagens em todas as vias de entrada na cidade, o que hoje não acontece. O objectivo é pôr os automóveis a contribuir para o financiamento dos transportes colectivos, passando todos a pagar o que pagam os utentes da Ponte Vasco da Gama. "No IC 19 e no IC 2 era perfeitamente possível introduzir portagens", defende Nunes da Silva, vereador da mobilidade da Câmara de Lisboa, em entrevista à TVI. "O que era fundamental era que todas as portagens na primeira coroa de acesso à cidade de Lisboa tivessem o mesmo valor e tivessem o valor mais alto que está hoje a ser praticado", explica o mesmo responsável, acrescentando que "o diferencial entre o valor que está contratualizado com as concessionárias e esse valor mais alto ia para um fundo de apoio aos transportes colectivos".

REBELO DE SOUSA: "AUMENTO DO IVA É UMA «PANTUFADA» NA CLASSE MÉDIA"

o apoiante de Passos, saiu em defesa da classe média já sufocada com taxas e impostos

Depois do murro no estômago das agências de rating a Portugal, do "estaladão" de 25% de aumento nos passes sociais, agora o aumento do IVA no gás e na electricidade é uma “pantufada na classe média”, diz Marcelo Rebelo de Sousa. No seu habitual comentário na TVI, o professor Marcelo comentou as mais recentes medidas anunciadas pelo Governo. Em causa o aumento do IVA, mas também a transferência do fundo de pensões dos bancários para a Segurança Social. "Acabou por ter que se aumentar o IVA antecipadamente a partir de Outubro com reflexo no gás e na electricidade. É evidente que isto é uma pantufada monumental na classe média. É evidente que o Governo vai acautelar as classes mais pobres com tarifas sociais, mas na classe média é uma coisa brutal", disse. O comentador político diz, por outro lado, que o Governo recorreu a "uma velha fórmula": os fundos de pensões. Recorde-se que o Governo decidiu antecipar, já para Outubro, o aumento da luz e do gás natural com a passagem do IVA de 6 para 23%, bem como o congelamento das progressões de carreira nos Ministérios da Defesa e da Administração Interna.

GOVERNO PODE ESTAR A PREPARAR EM SEGREDO A NACIONALIZAÇÃO DA BANCA

prejuízos a médio prazo para o Estado revelam nacionalizações da banca no horizonte

"Não é uma decisão óptima", reconheceu o representante da Comissão Europeia na troika, mas garante sustentabilidade orçamental. Foi Jürgen Kröger e não o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, quem revelou na sexta-feira feira passada a intenção do governo transferir os fundos de pensões dos bancos privados para a Segurança Social. Esta será uma operação faseada que terá como principal objectivo assegurar receita extraordinária para cobrir derrapagens orçamentais. Será uma transacção similar à realizada com a Portugal Telecom e que permitiu baixar o défice público no ano passado. Em 2011, a transferência destes fundos visa tapar "um buraco" de cerca de 600 milhões de euros nas contas públicas, originado por despesas na região autónoma da Madeira e por mais encargos públicos com a venda do Banco Português de Negócios. Mas esta operação suscita muitas dúvidas ao Bloco de Esquerda que vai entregar esta semana um requerimento para que sejam entregues no Parlamento, "documentos e estudos" que suportem esta decisão. Por um lado, só os fundos controlados pelos quatro maiores bancos privados - BCP, BES, Totta e BPI - tinham no final de 2010 um património avaliado em 11 mil milhões de euros. Por outro lado, os activos estão muito expostos ao mercado de capitais e a banca tem sido obrigada a cobrir insuficiências no valor dos fundos face às responsabilidades assumidas. E se estes instrumentos passam para a Segurança Social, caberá ao Estado assumir a factura. Os trabalhadores bancários passaram a contribuir para a Segurança Social este ano, mas as responsabilidades passadas continuam na banca. Aliás, recorda a deputada do BE, Cecília Honório, a entrega destes fundos ao Estado era uma reivindicação antiga da banca que não foi aceite por governos anteriores.

GEORGE SOROS PEDE PARA GRÉCIA E PORTUGAL SAIREM DA UE DE FORMA "ORDEIRA"

Soros pensa que estar a pedir sacrifícios tão grandes a povos tão pobres é desumano

Depois de Martin Feldstein, professor de economia da Universidade de Harvard ter emitido a mesma opinião (publicada recentemente neste blogue), agora chegou a vez do ilustre George Soros. A solução encontrada pelos países da zona euro para o problema grego é tão má que a melhor coisa a fazer neste momento seria a Grécia abandonar a zona euro de forma "ordeira". A posição é assumida pelo investidor norte-americano George Soros que, numa entrevista à revista alemã Der Spiegel, sugere que Portugal siga o mesmo caminho, embora não avance com razões para o caso nacional. Para George Soros, a União Europeia e o euro sobreviveriam a uma saída de Portugal e Grécia se esta fosse controlada. Já um cenário de incumprimento ou de abandono do euro de forma descontrolada iria "precipitar uma crise bancária comparável à que provocou a Grande Depressão", mesmo que a saída do euro se limitasse a uma pequena economia como a Grécia. George Soros, este americano de origem húngara, que muitos apelidam de especulador, na década de 90 travou e ganhou uma guerra contra as autoridades monetárias do Reino Unido, antecipando uma desvalorização da libra que teve de sair do sistema monetário europeu que antecedeu a criação do euro. Ora a recusa alemã em avançar numa maior integração financeira da zona euro é o problema. Para George Soros, a crise do euro tem origem na decisão de Angela Merkel de que a resposta aos efeitos da falência do Lehman Brothers, em 2008, deveria ser nacional e não europeia. Por isso, defende, "só a Alemanha pode reverter a dinâmica de desintegração da Europa". Para Soros as soluções saídas da cimeira extraordinária de 21 de Julho limitam-se a "comprar tempo". O reforço do fundo europeu de resgate, pedido por vários países - e pelo presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso - mas ainda recusado pela Alemanha, será o próximo passo, defende Soros. Mas pode já não chegar a tempo de evitar o contágio à França.