AFEGANISTÃO: TALIBÃS FAZEM APELO MUNDIAL AO ESPANCAMENTO E TORTURA DE TROPAS INTERNACIONAIS

em retaliação à queima do Corão pelas tropas norte-americanas no Qatar, a resposta é a vingança  

Os talibãs instaram hoje os afegãos a atacar, espancar e matar tropas internacionais para vingarem a alegada queima de exemplares do Corão numa base militar norte-americana, mas não suspenderam contactos com os representantes dos Estados Unidos no Qatar. O grupo encorajou os afegãos a não se cingirem somente a protestos, numa altura em que as manifestações antiamericanas se multiplicam um pouco por todo o país pelo terceiro dia consecutivo, após terem resultado em nove mortos na quarta-feira. Num comunicado, os talibãs incentivam os ataques contra os Estados Unidos: "Vocês devem atacar as forças militares 'invasoras' e os seus aliados, matá-los, raptá-los, agredi-los e dar-lhes uma lição para que nunca mais se atrevam a insultar o sagrado Corão". Na quarta-feira ao final do dia, o porta-voz dos talibãs, Zabiullah Mujahid, afirmou, em declarações à agência noticiosa AFP que a queima de exemplares do Corão não iria afetar os contactos com representantes americanos no Qatar. "Condenamos a profanação do sagrado Corão de forma veemente", disse o mesmo. Expulsos do poder, em 2001, pela coligação militar liderada pelos Estados Unidos, os talibãs lutam desde então contra o governo de Cabul e aliados da NATO presentes no país.

GRÉCIA DECIDE NO PARLAMENTO SEGUNDO RESGATE SOB FORTES PROTESTOS NAS RUAS

na Grécia o povo sem futuro protesta mais na rua do que na blogosfera 

O Parlamento grego abre nesta quarta-feira o debate sobre a aprovação do segundo resgate à Grécia estipulado pelo Eurogrupo, enquanto os sindicatos convocaram novas manifestações para protestar contra os cortes que acompanham a negociação. A previsão é de que a votação ocorra daqui a dois dias. Até lá, ocorrerão os debates dos dois projetos de lei fundamentais à aplicação do acordo de resgate à Grécia no valor de 130 biliões de euros no Parlamento. O primeiro dos dois projetos de lei prevê a adopção da troca de bónus com os credores privados, operação que deverá ser finalizada até 11 de março, e que representa o perdão de 107 biliões de euros da dívida helena. Já o segundo estabelece a redução das aposentações em 75 milhões de euros, uma das medidas adotadas para alcançar o corte de despesa total de 3,3 bilhões de euros neste ano de 2012 pactuado com a União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Esta medida representa redução de 12% nas aposentações superiores a 1,3 mil euros mensais. Os suplementos dos pagamentos de aposentação superiores aos 200 euros mensais serão reduzidos entre 10% e 20%. Por causa desses debates, os dois sindicatos maioritários, o GSEE e o Adedy, convocaram manifestações na Praça Sintagma, contra o Parlamento, para protestar pelos cortes nas aposentações e na mudança da legislação do trabalho. Ao mesmo tempo os sindicatos próximos do Partido Comunista manifestam-se na Praça Omonia. Em comunicado, o GSEE denuncia as reduções das aposentações como um "golpe de misericórdia nos aposentados e no sistema de protecção social". O site do Ministério da Justiça grego foi atacado nesta quarta-feira pelos hackers Anonymous que pediam a libertação de três estudantes do Ensino Médio detidos pela acusação de atacar páginas oficiais.

IRÃO AMEAÇA LANÇAR ATAQUES PREVENTIVOS EM CASO DE AMEAÇA EXTERIOR

as forças militares dos EUA na região estão a pressionar o conflito

Exercícios de defesa antiaérea, manobras militares ao largo do Golfo Pérsico, anúncio de novos progressos no nuclear e um contra-embargo petrolífero à União Europeia. O Irão multiplica nos últimos dias as respostas à pressão crescente da comunidade internacional sobre o seu programa nuclear. Os dois navios enviados nos últimos dias à Síria, deram meia volta e regressam agora ao país através do canal do Suez. Mas o número dois das forças armadas iranianas anunciou hoje que o país está disposto a lançar ataques preventivos em caso de ameaça grave. Declarações que coincidem com a visita dos inspetores da agência internacional de energia atómica a Teerão. Uma visita que para o porta-voz do governo iraniano, “não tem por objetivo inspecionar as centrais nucleares do país, mas apenas discutir sobre formas de colaboração entre o país e a Agência internacional”, antes do reinício das negociações entre o Irão, os membros do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha, suspensas há mais de um ano. Mas o petróleo é até agora a única arma utilizada pelo governo iraniano. Depois de ter anunciado um contra embargo à União Europeia, o país iniciou manobras militares junto à costa sul do país, no Golfo Pérsico. Um gesto que ameaça prosseguir a subida dos preços do petróleo no continente. A reportagem em: http://pt.euronews.net/2012/02/21/irao-ameaca-lancar-ataques-preventivos-em-caso-de-ameaca/.

GOVERNO ANUNCIA DESPEDIMENTO DE MAIS 20.000 FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS JÁ ESTE ANO

o aumento exponencial de desempregados não vai ajudar Portugal, definitivamente, a sair da crise

O secretário de Estado da Administração Pública, Hélder Rosalino, anunciou que 17 a 20 mil pessoas vão deixar a função pública este ano, o que corresponde a uma redução de 3,2 por cento nos trabalhadores do Estado. A 31 de dezembro o número de funcionários públicos era de 512.424, adiantou o secretário de Estado, ressalvando que estes são números provisórios. Hélder Rosalino está a ser ouvido na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública, que decorre na Assembleia da República

CAMERON DEIXA DE FORA DO SEU MANIFESTO EUROPEU PORTUGAL POR TER ALINHADO COM MERKEL

Cameron e a Inglaterra estão fartos da incompetência da Chanceler alemã que não percebe nada de economia 

O primeiro-ministro britânico lançou «Um Plano para o Crescimento na Europa», que já tem a assinatura de onze outros chefes de Governo da União Europeia. O primeiro-ministro português ficou de fora do manifesto do primeiro-ministro britânico, David Cameron, porque "não está sintonizado", refere a edição de hoje do "Diário de Notícias". O jornal, que cita o site oficial do gabinete de Cameron, conta que em Janeiro passado o primeiro-ministro britânico e o seu homólogo italiano Mário Monti concordaram que "os seus países deveriam trabalhar juntos para desenvolver medidas práticas que desbloqueassem o potencial do mercado único". O manifesto, intitulado “Um plano para o crescimento na Europa” foi assinado por 12 primeiros-ministros europeus, tendo Passos Coelho ficado de fora. Segundo o DN, Passos nem sequer foi contactado, por ter sido considerado que não está "sintonizado" com as preocupações de Cameron e Monti.

STRAUSS-KAHN: O EXEMPLO DA ESCUMALHA POLÍTICA QUE LIDERA O MUNDO

excessivo poder sem fiscalização leva a abusos e corrupção mafiosa ao mais alto nível diplomático

O ex-director-geral do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn, passa a noite sob custódia numa esquadra de polícia em Lille, onde foi interrogado durante todo o dia no âmbito de um inquérito judicial conhecido como o “caso Carlton”. S egundo a imprensa francesa, a juíza de instrução Stéphanie Ausbart, titular do processo Carlton, foi chamada pela polícia judiciária ao final da tarde para ratificar o prolongamento da detenção de Strauss-Kahn durante a noite e até ao dia seguinte. DSK, como é tratado pelos franceses, acabou envolvido no escândalo depois de se confirmar que participou em várias orgias sexuais, tanto em Paris como também em Washington, a cidade que serve de sede ao FMI. A polícia já deteve oito indivíduos suspeitos de pertencerem à rede: dois deles são empresários com ligações ao Partido Socialista francês, e alegadamente responsáveis pela organização das chamadas “festas libertinas” e pelo pagamento das mulheres. Os dois amigos de Strauss-Kahn, Fabrice Paszkowski e David Roquet, terão pago as passagens de prostitutas que viajaram até à capital dos Estados Unidos entre os dias 11 e 13 de Maio do ano passado para uma dessas festas. No fim-de-semana seguinte, o ainda director-geral do FMI acabaria por ser detido num aeroporto de Nova Iorque, depois de uma camareira de hotel apresentar queixa por violação.

Strauss-Kahn desmentiu ferozmente qualquer ilícito e várias vezes manifestou interesse em ser ouvido “o mais rapidamente possível” para esclarecer o que classificou como “insinuações maliciosas” que não passavam de um “linchamento mediático”. Nesta terça-feira, nem DSK nem os seus advogados fizeram qualquer declaração. O ex-director do FMI e antigo ministro da Economia e Finanças do Governo socialista de Lionel Jospin, entrou na esquadra de Lille por volta das nove horas da manhã para uma sessão de interrogatório com quatro investigadores que acabou por se prolongar por todo o dia. O interesse dos investigadores é saber até que ponto DSK estava ciente que as mulheres que participavam nas orgias sexuais eram prostitutas pagas, e ainda se estava por dentro do esquema de financiamento fraudulento dessas “soirées” – várias delas no hotel Carlton. Através do seu advogado, o ex-director do FMI já indicou que não sabia que as mulheres com quem mantinha relações sexuais eram prostitutas – “Nessas soirées as mulheres não tinham roupa, e desafio quem quer que seja a distinguir uma mulher nua de uma prostituta nua”, disse o seu advogado Henri Leclerc. A justiça francesa contempla que um cidadão possa ficar detido para interrogatório, mediante aprovação de um juiz, por um período máximo de 96 horas. No fim desse prazo, terá de ser obrigatoriamente libertado – embora possa sê-lo já na condição de arguido. A lei não penaliza os clientes de prostitutas, mas DSK corre o risco de ser acusado por cumplicidade com proxenetismo e ou abuso de bens sociais sob a forma de receptação.

ESPANHÓIS DE VALÊNCIA PROTESTAM VIOLENTA E MASSIVAMENTE CONTRA VIOLÊNCIA POLICIAL NAS ESCOLAS

aos protestos aderiu a cidade de Valência em peso e a polícia carregou forte sobre os manifestantes

Milhares de cidadãos juntaram-se aos protestos em Valência, em nome da solidariedade para com os estudantes que se mantêm no local e que têm sido alvo das cargas policiais. Pais de estudantes, líderes políticos e representantes de organizações da sociedade civil condenaram já a acção policial e acusaram os agentes de respostas desproporcionadas contra os manifestantes. Jorge Férnandez Díaz, ministro do Interior, admitiu que pode ter havido “algum excesso” e “uma intervenção desproporcionada” por parte da polícia. Dos confrontos entre a polícia e os manifestantes resultaram 43 detidos e vários feridos. Tanto Mariano Rajoy, primeiro-ministro espanhol, como Alberto Ruiz-Gallardón, ministro espanhol da Justiça, já condenaram os protestos, defendendo que todos têm a liberdade de expressar-se e manifestar-se, mas lembrando também que a polícia tem uma missão a cumprir. O primeiro ministro espanhol disse que os valencianos não podem passar uma imagem de violência e que “é hora de fazer um esforço para regressar à tranquilidade”, acrescentando que “se todos agirem com peso e medida, esta situação não voltará a repetir-se”.

ESTADO PERDEU 222 MILHÕES EM RECEITAS DE IMPOSTOS RELATIVAMENTE AO ANO PASSADO

com as políticas reducionistas deste Governo, aumentará a Troika o que diminuirá ainda mais a receita...

O Estado arrecadou 2,6 mil milhões de euros em receitas fiscais, em Janeiro. São menos 222 milhões do que em igual período do ano passado, ou seja, menos 7,9%. Em Janeiro de 2011, as receitas fiscais aumentaram 15,1%, de acordo com os dados divulgados pela Direcção-Geral do Orçamento (DGO) através da Execução Orçamental. A contribuir para esta evolução estiveram os impostos sobre os rendimentos dos particulares (IRS), bem como das empresas (IRC), com a colecta a diminuir 4,5% e 61,3%, respectivamente. Enquanto do IRS o Estado conseguiu menos 43 milhões, do lado das empresas a quebra de receita foi de 138,6 milhões de euros. A DGO explica que esta quebra das receitas fiscais está relacionada com um episódio extraordinário observado em 2011, que foi a “antecipação generalizada da distribuição de dividendos ocorrida em Dezembro de 2010”. Excluindo este impacto, "a receita fiscal registaria um decréscimo de cerca de 1,6% face ao período homólogo de 2011, explicado pela variação negativa de cerca de 4,8% nos impostos directos e pela variação positiva de 0,5% nos impostos indirectos." Com estas evoluções, as receitas obtidas com os impostos directos diminuiu 18,8%. Já os impostos indirectos registaram um aumento de 0,5%. E para esta última evolução contribuiu um maior encaixe com IVA (5,7%), com o imposto sobre o tabaco (13,9%), bebidas alcoólicas (14,9%) e o imposto de circulação (23,3%). Já o imposto sobre veículos e o imposto de selo registaram quebras de 43,9% e 8,8%, respectivamente. O comportamento destas variáveis é ilustrativo do contexto nacional. Famílias com menores rendimentos, a taxa de desemprego em máximos históricos (14%) e empresas com menores vendas são a realidade actual, o que tem impacto directo nos impostos que o Estado consegue arrecadar.Partilhar

MÁRIO SOARES CHOCADO COM SUBSERVIÊNCIA DO GOVERNO À DEMOLIDORA TROIKA

Soares, considerado um socialista moderado já alertou várias vezes para as políticas pró-totalitaristas deste Governo

Mário Soares aconselha Passos Coelho a agir com "palavras simples" para contrariar "uma depressão colectiva que se está a generalizar". O antigo Presidente da República volta a lançar fortes críticas à ‘troika' por meter "o nariz em tudo, como se fossem os nossos patrões, só porque representam os que nos emprestaram dinheiro a juros inaceitáveis" e "fingindo que são nossos simpáticos dadores quando são implacáveis exploradores". "Sacrifícios, sim, se houver uma estratégia que os justifique, humilhações, não", escreve. Num artigo hoje publicado no Diário de Notícias, Mário Soares relata "uma depressão colectiva que está a generalizar" e um "descontentamento progressivo com tendência a transformar-se em revolta". O histórico socialista diz que Pedro Passos Coelho "não deve menosprezar esta perigosa situação" e aconselha o primeiro-ministro a usar "palavras simples e claras" para contrariar a ideia de "que quem nos governa é a troika". E escreve também que o Governo português "não deve ostentar perante ela uma subserviência chocante".

GOVERNO QUERIA BANIR PARA SEMPRE A TVI DAS REUNIÕES EUROPEIAS

o "terrível" segredo que revelou a hipocrisia política do obediente (até fez a vénia maçónica) ministro português

Portugal queria banir a TVI para sempre das chamadas tour de table, em Bruxelas, na sequência da conversa gravada e difundida entre os ministros das Finanças de Portugal e da Alemanha. Maria Rui Fonseca, porta-voz da Representação Permanente de Portugal junto da União Europeia (REPER), disse ao Expresso online ter agido “em articulação e segundo instruções do Ministério das Finanças”, explicando que estas decisões ficam aquém do defendido por Portugal: “A recolha de imagens pelas televisões devia acabar e passar a ser feita pelos serviços do Conselho, que posteriormente as distribuiriam”. E em relação à suspensão do jornalista da TVI, que ficará proibido de aceder à sala das reuniões ministeriais, a postura é semelhante. Maria Rui diz que se trata de uma decisão “infantil”, uma vez que a estação portuguesa tem “antecedentes” na matéria e “nada garante que não voltem a fazer a mesma coisa”. “A TVI devia ser banida para sempre do tour de table”, opina. Os serviços de imprensa do Conselho de Ministros da União Europeia decidiram na semana passada implementar regras mais restritivas para a recolha de imagens nos instantes que antecedem o início das reuniões ministeriais e suspender, durante um mês, o repórter de imagem da TVI responsável pela recolha das imagens da polémica.

A decisão foi tomada depois das pressões de Portugal, com o apoio da Alemanha e de Espanha. A REPER acusa a TVI de ter tido uma atitude semelhante em 2008, ao divulgar uma conversa de Rui Pereira, ministro da Administração Interna no governo de José Sócrates, Num vídeo já famoso, Rui Pereira aparece a fazer rasgados elogios à beleza de Carla Bruni, mulher de Nicolas Sarkozy, e a gracejar com o facto de o presidente francês ter de cuidar muito bem do seu aspecto para estar à altura da beleza da mulher. Qual adivinho, Rui Pereira terminou a conversa dizendo ao seu interlocutor que agora era perigoso falar dessas e de outras matérias por causa dos microfones direccionais. Maria Rui Fonseca diz que desde essa altura decidiu vedar o acesso da estação de Queluz de Baixo ao tour de table das reuniões do Conselho Europeu, em que participam os chefes de Estado e de governo dos 27: “No que depender de mim, a TVI não volta a recolher imagens em nenhum tour de table”. “Estamos de consciência tranquila. Fizemos o nosso trabalho”, afirmam por seu turno Pedro Moreira, o correspondente da TVI em Bruxelas, e António Galvão, o repórter de imagem visado pela decisão em causa. Numa declaração conjunta, os dois jornalistas manifestam ainda um desejo: “Esperamos que o facto da câmara da TVI não estar na sala ajude o Conselho Europeu a combater a recessão económica e o desemprego de 24 milhões de pessoas”.

VATILEAKS: A CONSPIRAÇÃO PARA MATAR O PAPA NESTE APOCALÍPTICO 2012

Ratzinger fazendo a saudação nazi enquanto jovem, durante uma missa

Já há quem chame Vatileaks ao novo desaire do Vaticano. Nas últimas semanas têm chegado à imprensa italiana supostos documentos confidenciais da cúria romana que dão conta da existência de conspirações nos corredores da Santa Sé. Um deles aponta mesmo para um estranho complô com o objectivo de assassinar o Papa Bento XVI e o próprio jornal do Vaticano, “L’Osservatore Romano”, já escreveu que o Papa, prestes a completar 85 anos, se transformou num “pastor cercado por lobos”. O primeiro golpe – como lhe chama o porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi – chegou através do jornal “Il Fatto Quotidiano”, que divulgou uma carta do cardeal colombiano Darío Hoyos endereçada ao Papa. Na missiva, escrita em alemão e enviada para o Vaticano a 31 de Dezembro com o selo de “estritamente confidencial”, o cardeal avisa Bento XVI de que uma conspiração estaria a ganhar forma dentro da cúria. Darío conta que, durante uma viagem à China, em Novembro do ano passado, o arcebispo siciliano de Palermo, Paolo Romeo, terá garantido que o Papa morreria “nos próximos 12 meses”. A intriga estender-se-ia também ao número dois da Santa Sé, o secretário de Estado Tarcisio Bertone.

Na carta, o colombiano alerta para “o grave perigo que corre o santo padre” e conta que o objectivo da conspiração será fazer chegar o actual arcebispo de Milão, o cardeal Angelo Scola, ao topo da Igreja. A carta está dividida em três partes. Na primeira, intitulada “Viagem a Pequim”, Darío fala no à-vontade com que o arcebispo terá contado detalhes da suposta conspiração. A segunda, com o título “O secretário de Estado Tarcisio Bertone”, faz alusão aos confrontos frequentes entre o Papa e o seu número dois – que, garante a imprensa italiana, tem arranjado diversos inimigos nos últimos seis anos. Na última parte, “A sucessão do Papa Bento XVI”, Darío revela que Scola deverá ser o novo líder da Igreja. O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, já veio a público desvalorizar o assunto, afirmando que se “trata de divagações que não devem, de modo algum, ser levadas a sério”. Certo é que o arcebispo de Palermo já tem antecedentes: em 2006 tentou a nomeação para presidente da Conferência Episcopal Italiana, promovendo mesmo uma consulta junto de todos os bispos para ser eleito. Mas no final acabaria por ser desautorizado publicamente por Bento XVI.

Dias antes da polémica carta, o canal de televisão italiano “La 7” divulgava uma outra, alegadamente escrita pelo arcebispo Carlo Viganó, actual núncio apostólico dos Estados Unidos. No documento, igualmente endereçado ao Papa, Viganó, que é também o responsável pelo Governatore da Santa Sé, denunciava casos de alegada “corrupção” dentro do Vaticano e chegava a pedir a demissão do cargo. Tanto quanto se sabe, Bento XVI não lhe terá respondido. O Vaticano já reagiu à divulgação dos documentos para dizer que existe um caso Vatileaks, com o intuito de descredibilizar a Igreja. Num comunicado lido na Rádio Vaticano, Lombardi, porta-voz da Santa Sé, pediu “calma e sangue frio”. “O governo americano teve o Wikileaks e o Vaticano tem agora a sua Vatileaks, as suas fugas de documentos, que pretendem gerar confusão e dar uma má imagem do Vaticano e do governo da Igreja”, acrescentou. Lombardi aproveitou o tempo de antena para avisar “aqueles que acreditam conseguir abalar a Igreja com intrigas” de que estão “muito enganados” e lembrou ainda que é “muito natural” que existam “posições diferentes e diversificadas” dentro do governo da Igreja. os Lobos de púrpura Depois do consistório deste fim-de-semana, em que foram proclamados 22 novos cardeais, o Vaticano tem a pesada tarefa de limpar as consequências de um novo escândalo junto da opinião pública.

O alegado complô para assassinar Bento XVI vem pôr a descoberto as lutas de poder dentro da cúria romana – onde muitos parecem ansiosos pelo fim do papado de Bento XVI, debilitado e prestes a fazer 85 anos. As motivações dos “lobos vestidos de púrpura” para fazer cair o Papa são as mais diversas: desde 1978 que o maior lugar da Igreja não é ocupado por um italiano e alguns cardeais entendem que chegou a hora de isso acontecer; outros consideram que Ratzinger foi longe de mais ao tentar promover a transparência dos dinheiros da Igreja (ver texto ao lado) e cortar na permissividade em relação aos abusos sexuais de menores entre o clero. Demasiadas ambições para um octogenário introvertido, doente e cada vez mais sozinho, tendo em conta os confrontos com o seu número dois. A jogar contra o actual Papa está ainda ser muito diferente do seu antecessor, João Paulo II, o Papa polaco que durante 26 anos foi muito hábil em matéria de diplomacia e relações públicas dentro da Igreja. Conta-se que o anterior Papa, João Paulo II, foi uma vez questionado sobre quantas pessoas trabalhavam no Vaticano. “Mais ou menos metade”, respondeu ironicamente. Já Ratzinger tem sido visto como uma figura introvertida e obstinada.

Há dois anos, Bento XVI dizia, numa entrevista ao seu jornalista favorito, o alemão Peter Seewald, que quando um Papa “tem a clara consciência de que não está bem física e espiritualmente para levar adiante a função que lhe foi confiada, tem o direito e, em algumas circunstâncias, o dever de se demitir”. Por isso também já há quem especule, em Roma, que Bento XVI pensa demitir-se em Abril – mês em que completa 85 anos de vida e sete de pontificado. Por enquanto, a secretaria de Estado do Vaticano está empenhada em descobrir os autores das alegadas fugas de informação. Mas para alguns jornalistas vaticanistas é certo que os responsáveis fazem parte de uma ala obscura do Vaticano que não estará particularmente interessada em que se faça uma limpeza às contas do banco da Santa Sé – algo em que o Papa Bento XVI parece estar fortemente empenhado nos últimos tempos. As fugas de informação referentes a este caso referem ainda as ligações do banco do Vaticano, o Instituto de Obras Religiosas (IOR), ao fecho do Banco Ambrosiano, há cerca de 30 anos. O IOR já garantiu que se vai adaptar às regras da União Europeia sobre transparência financeira até Junho. (in, Jornal i)

DOIS ASSALTANTES ROUBAM 85.000 EUROS DO BINGO DO BOAVISTA

Portugal deixou de ser um país seguro devido à corrupção e máfias dos políticos

Ameaçado com arma por dois encapuzados, um funcionário do Bingo do Boavista, no Porto, foi obrigado a abrir o cofre e a entregar 85 mil euros. Ficou sequestrado na caixa-forte durante quatro horas. Na mira dos assaltantes esteve um adjunto do chefe de sala, de 50 anos, que estava na fase final do turno, na madrugada de ontem. Pelas 2.40 horas, ouviu um barulho na porta da garagem do edifício, na Rua de Belos Ares. "Como o meu carro estava estacionado em frente, fui ver o que se passava. Só abri um bocado a porta e um deles apontou-me logo uma pistola. Tentei fechá-la, mas o outro meteu um pé e impediu", contou o funcionário, ao JN.

GREVE DA CP NO DIA DE CARNAVAL CORTA 81% DOS COMBOIOS

em protesto contra a perda do feriado acordado nos contratos de trabalho da empresa

A greve dos maquinistas da CP no dia de Carnaval deverá levar a empresa a realizar apenas os 162 comboios definidos como serviços mínimos pelo tribunal arbitral, um número que corresponde a cerca de 19 por cento da oferta prevista. Na terça-feira, os maquinistas da CP voltam a parar, no âmbito da greve ao trabalho em horas extraordinárias, dias de descanso semanal e feriados que têm em curso, uma vez que o Acordo de Empresa considera o dia feriado. A porta-voz da CP, Ana Portela, disse à Lusa que a empresa tinha programado para aquele dia a realização de 841 comboios, sendo que os serviços mínimos apenas abrangem a realização de 162, «o que corresponde a cerca de 19 por cento da oferta» prevista pela transportadora ferroviária. A responsável salientou, no entanto, que «se a empresa puder fazer mais comboios certamente não deixará de fazê-los». Os serviços mínimos decretados pelo tribunal arbitral «correspondem, nos serviços urbanos de Lisboa e do Porto, a um pouco mais de 20 por cento da oferta que seria normal e nos serviços de longo curso e regional a cerca de 15 por cento», detalhou Ana Portela.

A responsável alertou para o facto de, à semelhança de greves anteriores, o impacto poder começar a fazer-se sentir no dia anterior. «O impacto deverá começar a fazer-se sentir mesmo ao final de segunda-feira, já depois da hora de ponta», disse, acrescentando que, «nos serviços urbanos, a partir da 21:30/22:00 é expectável que deixem de se realizar comboios». A circulação voltará à normalidade na quarta-feira: nos serviços urbanos de Lisboa e do Porto o serviço deverá estar normalizado à hora de ponta, enquanto nos regionais e de longo curso «podem registar-se atrasos ou supressões ao longo do dia». A greve ao trabalho em horas extraordinárias, dias de descanso semanal e feriados foi decretada pelo Sindicato Nacional dos Maquinistas (SMAQ) no início de Janeiro e prolonga-se até final deste mês. O SMAQ, que já tinha cumprido vários dias de greve com a duração de 24 horas no período do Natal, contesta os processos disciplinares alegadamente ilegais interpostos pela CP pelo incumprimento de serviços mínimos em paralisações anteriores.

CARNAVAL DE PASSOS COELHO "ESTRAGADO" DEPOIS DE VAIADO EM GOUVEIA

depois de Cavaco não sair do seu "palácio" com medo dos estudantes, Passos foi vaiado e sentiu a força do Carnaval do povo

Passos Coelho garantiu depois que enfrentou "com naturalidade" o grupo de manifestantes que contestou as políticas do Governo, junto ao mercado. Passos Coelho falava aos jornalistas no final de uma visita à feira do queijo da Serra da Estrela e de artesanato, em Gouveia, após ter sido vaiado por sindicalistas, elementos de uma comissão de utentes contra as portagens nas autoestradas da região e alguns populares. O primeiro-ministro, no meio de muito ruído e de assobios, ainda tentou chegar à fala com os manifestantes, mas não conseguiu, embora tenha dialogado com alguns populares que lhe apresentaram criticas à sua governação. "Há muitas ocasiões em que as pessoas expressam a sua insatisfação, muitas vezes apenas o descontentamento, para mostrarem que têm dificuldades e que estão a viver com dificuldades, disse o primeiro-ministro, acrescentando que gosta de se inteirar "dessas situações" e de estar ao pé das pessoas para lhes dizer que sabe bem quais são as dificuldades que todo o país atravessa. Referiu que é "obrigação" do primeiro-ministro "ouvir o que as pessoas têm para dizer, mesmo quando comunicam as suas dificuldades". Questionado sobre a sua atitude ser diferente da assumida pelo Presidente da República, Passos Coelho disse que não respondia a perguntas sobre Cavaco Silva, por quem tem "um grande respeito". Disse também esperar que as pessoas "saibam distinguir a posição do Presidente da República, porque tem sido de uma relevância muito grande para a estabilidade que temos tido em Portugal", lembrando a negociação do Orçamento e o acordo de concertação social. "Eu tenho tido, da parte do senhor Presidente da República um apoio, uma cooperação política como lhe compete, muito relevante para o país", garantiu.

ALEMANHA: MAIS UM PRESIDENTE NO SEIO DA EUROPA NÃO ELEITO PELO POVO

 apesar do seu mérito, este novo Presidente é mais um "não-eleito por voto" no seio da Nova Europa de Merkel

A chanceler Angela Merkel disse à sua coalizão e à oposição que concordou neste domingo com a nomeação do ex-ativista da Alemanha Oriental, Joachim Gauck, o candidato consensual para se tornar o próximo presidente da Alemanha. A decisão foi tomada depois da renúncia de Christian Wulff do cargo na sexta-feira por causa de um caso de corrupção e após membros do próprio partido conservador de Merkel derrubarem suas objeções a Gauck, de 72 anos. Merkel, que cresceu na comunista Alemanha Oriental e que, como Gauck, é protestante, chamou o popular pastor de um "verdadeiro professor de democracia" que ajudou o país a se integrar depois da reunificação em 1990. "Este homem pode oferecer um importante impulso para os desafios de nosso tempo e do futuro," disse ela depois de um encontro com representantes de seu governo de centro-direita e da oposição no centro de Berlim neste domingo à noite. Gauck era candidato da oposição social-democrata e dos Verdes em junho de 2010 contra Wulff, um ex-primeiro-ministro de estado cristão-democrata, escolhido a dedo por Merkel como uma espécie de árbitro moral para o país.

Apesar do forte apoio de Merkel, Wulff só foi eleito na terceira rodada de votações - um conturbado começo de uma Presidência arruinada. A oposição apoiou Gauck nessa ocasião, assim como após a decisão de Wulff de renunciar. Apenas o partido de extrema esquerda Die Linke, que inclui muitos comunistas da antiga Alemanha Oriental, disse que suspenderia o apoio quando o presidente for eleito em março. Os conservadores estavam a princípio relutantes em apoiá-lo por verem nisso uma perda de identidade e um presente político para a oposição, mas seu desejo de pôr fim a um capítulo danoso prevaleceu no final. A vitória de Gauck está agora assegurada com uma clara maioria de apoio na assembleia dos deputados e lideranças que escolhe o presidente. Um Gauck visivelmente emocionado, que a maioria dos alemães considera que pode recuperar a credibilidade do posto depois da série de escândalos de Wulff, disse que está profundamente honrado por ter sido nomeado. "Este é um dia muito especial para mim, mesmo em uma vida na qual tive várias," disse a jornalistas. Ele ressaltou o fato de alguém nascido durante a II Guerra Mundial e que viveu 50 anos sob uma ditadura ter chegado à chefia do Estado.

Gauck, que não é filiado a um partido, disse que quer ajudar os alemães a recuperar a "fé em sua própria força" frente à crise da Eurozona. Gauck nasceu em janeiro de 1940 em Rostock (noroeste) e optou por seguir a vida de pastor da Igreja Luterana, sendo testemunha de detenções arbitrárias em sua paróquia. Em uma RDA onde as igrejas desfrutavam de certa tranquilidade, Gauck utilizou sua posição para defender os direitos humanos. Durante as primeiras manifestações contra o regime comunista em 1989, que terminaram com a queda do Muro de Berlim em novembro desse ano, Gauck tornou-se porta-voz da formação opositora Novo Fórum de Rostock. No dia 3 de outubro de 1990 foi escolhido para dirigir o centro encarregado de conservar e explorar os arquivos da Stasi, a polícia secreta da RDA. Ocupou o posto durante 10 anos e foi elogiado pela maneira como tentou unir justiça, verdade e reconciliação. Os partidos cristãos (CDU/CSU) de Merkel e seu aliado liberal (FDP), o Partido Social Democrata (SPD) e os Verdes contam com uma cômoda maioria para que Gauck seja eleito. Gauck será oficialmente eleito por uma assembleia federal composta por deputados da Bundestag e por delegados do mundo político e da sociedade civil escolhidos pelos parlamentos regionais, uma eleição que se deve ser realizada antes de 18 de março.

ESPANHA EM PESO CONTESTOU REFORMAS LABORAIS DO PP

Espanha promete lutar contra a implementação da extrema-direita e das suas políticas anti-sociais 

Grandes manifestações são primeiro grande desafio às mudanças impostas pelo governo Rajoy Dezenas de milhares de pessoas desfilaram nas ruas das grandes cidades espanholas em protesto pela reforma laboral do governo do PP, que entre outras medidas reduz as indemnizações por despedimento. A nova lei flexibiliza o mercado de trabalho para empresas que estejam três trimestres a perder receitas e a contratação coletiva perde influência.. A Espanha tem um desemprego recorde de 23,5% e muitos economistas culpam a rigidez da lei. Os protestos foram convocados pelas centrais sindicais e reuniram, segundo números sindicais, meio milhão de pessoas em Madrid e 450 mil em Barcelona. Desfilaram também os "indignados" (movimento 15-M) e os protestos contaram com a presença de delegações socialistas. Nos cartazes podia ler-se que a reforma laboral é "injusta, ineficaz e inútil". Os sindicatos dizem que a reforma laboral vai apenas aumentar o desemprego, ao facilitar os despedimentos, e ameaçam prosseguir a luta com uma greve geral. Em resposta a este primeiro desafio político de grande envergadura, o primeiro-ministro Mariano Rajoy disse que a reforma laboral "é justa e necessária". Os conservadores afirmam que têm um mandato reformista e que as novas leis laborais são necessárias para os milhões de espanhóis sem trabalho.

EMPRESAS PAGAM AOS SEUS FUNCIONÁRIOS COM SUBSÍDIOS QUE DEVIAM PAGAR À SEGURANÇA SOCIAL

esta fórmula há muito utilizada pelas empresas constitui uma grave burla da parte dos empresários 

A Segurança Social notificou, no final de Janeiro, 481 empresas para que estas devolvam quase 11 milhões de euros que o Estado gastou indevidamente com "lay-offs" e subsídios de desemprego, escreve hoje o Jornal de Notícias. Segundo o diário, estas empresas enganaram o Estado conseguindo assim receber financiamento público indevido para reduções temporárias ou permanentes do número de trabalhadores. O "lay-off" constitui um redução temporária dos dias de trabalho em que segurança social e as empresas pagam a meias dois terços do salário do trabalhador que assim fica em casa, e pode trabalhar para outra empresa. Várias empresas reportaram informação errada ou não chegaram sequer a concretizar o lay-off que comunicaram à segurança social. No caso do subsídio de desemprego a maior parte das ilegalidades foram constituídas por empresas que ultrapassaram o número de despedimentos com direito a subsídio de desemprego. A Lei portuguesa impõe um limite aos despedimentos subsidiados, caso uma empresa não seja declarada em reestruturação. Ultrapassado o limite, um trabalhador mantém o direito ao subsídios, mas é a empresa que o suporta. Também aqui vários empresários violaram a Lei. A Segurança Social pede assim a devolução de 10,7 milhões de euros às 481 empresas, escreve o JN, que salienta que o maior número de dívidas e empresas está no Norte do país. O Porto ocupa a primeira posição com 3,8 milhões de euros, segue-se Lisboa com 2,4 milhões e Braga com 1,1 milhões.

CENSURA À TVI NA UE PELA DIVULGAÇÃO DE CONVERSA PARTICULAR ENTRE VÍTOR GASPAR E MINISTRO ALEMÃO

revelar as verdades foi fatal para os jornalistas que fazem bem o trabalho de informar a opinião pública 

O repórter de imagem da TVI fica proibido de recolher imagens por um período ainda indeterminado, mas que poderá ir além de um mês. Os serviços de imprensa do Conselho Europeu suspenderam o repórter de imagem da TVI, António Galvão, que gravou a polémica conversa informal entre o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, e o homólogo alemão sobre a disponibilidade de flexibilização do programa de ajuda financeira a Portugal. O jornalista suspenso fica, assim, proibido de recolher imagens por um período ainda indeterminado, mas que poderá ir além de um mês. Os mesmos serviços, que são responsáveis por estipular os termos do trabalho da comunicação social em Bruxelas, fixaram ainda regras mais apertadas para a gravação de imagens antes das reuniões ministeriais. A decisão surge depois de a estação de Queluz ter divulgado imagens de uma conversa informal entre Vítor Gaspar e Volfganf Schauble antes da reunião do Eurogrupo, no passado dia 9 de Fevereiro. Na ocasião, o ministro das Finanças germânico dava conta da disponibilidade da Alemanha para aprovar um segundo resgate financeiro a Portugal. Posição que, mostravam as imagens, Vítor Gaspar agradecia. O Governo, em reacção às imagens que foram difundidas a nível mundial e perante as críticas da oposição parlamentar, negou a necessidade de um segundo pacote de resgate.

PASSOS COELHO REFORÇOU A SUA SEGURANÇA HÁ UM MÊS

Passos Coelho será vaiado todos os dias a partir deste Carnaval até à sua demissão

A previsão de maior contestação social às medidas do governo, maiores riscos de tumultos e aumento das ameaças à integridade física de Pedro Passos Coelho levaram a PSP a reforçar, há cerca de um mês, o Corpo de Segurança Pessoal que acompanha o primeiro-ministro. Passos, que antes teria 10 ou 11 seguranças, tem agora mais uma equipa a assegurar a sua protecção. Ao todo, são já 15 os elementos da PSP que seguem os passos do primeiro-ministro, avançou fonte daquela força de segurança ao i. O contexto mudou e o agravamento da crise económica no país tem levado a PSP a uma avaliação diária mais rigorosa dos riscos que correm as principais figuras do Estado e os ministros que anunciam as medidas mais controversas. Episódios como o que ontem levou Passos a ser vaiado e insultado por manifestantes durante uma visita a Gouveia já seriam esperados pela PSP, que há um mês está em alerta máximo no que respeita à segurança do primeiro-ministro. Fonte da PSP explica que actualmente a avaliação dos riscos de membros do governo é diária. Atrás de Pedro Passos Coelho, Álvaro Santos Pereira e Vítor Gaspar são neste momento os membros do governo mais protegidos. Por serem os que anunciam as medidas menos populistas, os ministros da Economia e das Finanças passaram a ter escolta policial reforçada há duas semanas, adiantou o “Diário de Notícias”. Também estes terão sido alvo de ameaças. (in, Jornal i).

CGTP MARCA NOVA GREVE GERAL PARA 22 DE MARÇO

Arménio Carlos aposta no derrube imediato deste Governo-capacho da Troika e do FMI

A CGTP marcou na quinta-feira uma greve geral para 22 de março que será a oitava da Intersindical nos últimos 29 anos e a primeira sob a liderança de Arménio Carlos. O agravamento da legislação laboral e das condições de vida dos portugueses, o aumento do desemprego, o aumento do empobrecimento e as sucessivas medidas de austeridade levaram o conselho nacional da CGTP a decidir a marcação da paralisação, cerca de quatro meses após a última greve geral. Desta vez não é previsível que a UGT se junte ao protesto, como aconteceu a 24 de novembro de 2011 e de 2010, porque a central sindical liderada por João Proença assinou o acordo para a Competitividade, Crescimento e Emprego que está na origem da revisão da legislação laboral. As duas centrais sindicais estiveram juntas nas duas últimas greves gerais, pela primeira vez, contra as medidas de austeridade aplicadas pelo Governo socialista e pelo atual governo PSD/CDS. Ao longo dos últimos 29 anos a CGTP fez sete greves gerais e a UGT três. A primeira greve da CGTP, a 12 de fevereiro de 1982, foi contra o pacote laboral que o governo AD tentou impor, retirando direitos aos trabalhadores. Por isso, a CGTP pediu a demissão daquele Executivo. Na altura, a paralisação contou com a participação de 1,5 milhões de trabalhadores. No mesmo ano, a 11 de maio, realizou-se outra greve geral pelo mesmo motivo, mas acrescentando o protesto contra a repressão policial que causou dezenas de feridos e 2 mortos no Porto, na véspera do 1.º de Maio. O pacote laboral do Governo de Cavaco Silva deu o mote para a terceira greve geral em democracia, a 28 de março de 1988. Esta greve foi realizada pelas duas centrais sindicais, embora convocada em separado porque as relações entre a CGTP e UGT não eram as melhores. Para tentar impedir a aprovação do Código do Trabalho de Bagão Félix a CGTP promoveu uma nova greve geral a 10 de dezembro de 2002, que contou com a participação de 1,7 milhões de trabalhadores. A quinta greve, a 30 de maio de 2007, foi de protesto contra a revisão do Código do trabalho feita pelo Governo PS, que a Inter considera ter agravado ainda mais a legislação laboral. A primeira greve geral nacional em Portugal realizou-se em janeiro de 1912 em defesa de melhores salários.